NORMAL. O que é uma pessoa normal? O que é normalidade? ... É o que eu me perguntei por muito tempo, e na boa, não consegui essa porra de definição, mas cheguei a uma conclusão.
Vamos comparar duas pessoas: uma garota que use roupas casuais, comuns, tem seus estudos, uma vida social agradável, um namorado... Tem uma vida considerada comum. Pensemos agora em outra garota, que se vista com roupas bem diferentes (camisas de rock, calças rasgadas, correntes etc.), tem um cabelo rosa, tem seu grupo de amigos restrito a sua tribo, um namorado que se vista da mesma maneira que ela, tenha vários piercings e tatuagens pelo corpo, enfim.
Se eu te perguntar: Qual das duas é normal? Bem provável que me responderia que é a primeira garota, lógico.
Mas ai eu te perguntaria novamente: E o que faz dela “normal”? Porque a maneira que ela age, vive, é normal? Qual é a normalidade disso?
Se você conseguir me responder isso, por favor, o faça, porque eu mesma não consegui responder. A única coisa que consegui fazer a partir de tudo isso é tirar uma mera conclusão.
A sociedade tem uma imagem formada de alguém “normal”, um sinônimo de “normal” nesse caso seria “aceitável”, ou seja, pra se aceitar alguém, tal pessoa tem que cumprir os critérios que a sociedade impõe. Critérios de como a tal pessoa deve agir, como se vestir, do que deve ouvir (música), do que deve se ocupar, seu grau de inteligência, sua opção sexual, até mesmo de como e quando cagar.
Caso alguma pessoa não cumpra esses critérios, ela é considerada anormal, revoltada, louca, vagabunda, demente, e o que é muito comum nos dias de hoje: drogada, ela pode não ser drogada de fato, mas se tiver algumas tatuagens pelo corpo e umas roupas pretas, é o suficiente pra ser uma. Ou seja, ela não é aceita tão facilmente pela sociedade.
Um exemplo disso são as empresas que não contratam candidatos que tenham piercings e/ou tatuagens. Outro exemplo é quando alguma pessoa resolve se relacionar sexualmente com pessoas do mesmo sexo, ou resolve se vestir com as roupas típicas do sexo oposto, ou até mesmo mudar de sexo. As pessoas consideradas comuns acabam achando isso uma pouca vergonha, para as mais religiosas, obra do capeta.
E o que tudo isso sugere? Que o ser humano é tão estúpido que se deixa enganar pelas aparências. E que saem do estado da estupidez e passam para idiotice crônica quando se submetem a esses critérios, simplesmente pra serem aceitos pela sociedade, caso contrário entra em depressão e o caralho a quatro.
Lugar muito comum de se ver isso é na escola. Pensemos naquele cara que estuda muito, está sempre lendo, tira boas notas... Isso é uma coisa boa certo? Mas mesmo assim ele é tachado de nerd, CDF, blábláblá. O grande alvo mesmo são as pessoas mais “gordinhas”! Basta você estar alguns quilos acima da média e já começam as zuações do tipo: bolinha de queijo, almôndega, Tio Fill, comparações com bolas, alguém dizendo: “vishe, fulano vai pular, vai ter um terremoto, cuidado!” , e várias outras. Vá por mim, criatividade para isso não falta para a grande maioria.
Agora, qual é a normalidade de tudo isso?
Essa questão de ser “normal” é mais uma das grandes idiotices que a sociedade sustenta, e nem ao menos percebem isso, já que agir assim é tão natural. Digamos que essa “normalidade” é apenas mais um tipo de merda que direciona a porra da sociedade.
Como Lennon dizia: “Eu tenho medo desse negócio de ser normal”.
![]() |
| de Quino, Potentes, prepotentes e impotentes, ed. Teorema, Lisboa 2004 (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA AMPLIADA) |

Nenhum comentário:
Postar um comentário